Integração entre mundo físico e online é possível pelas novas tecnologias
A Inteligência artificial, a Internet das Coisas, o Blockchain e a Indústria 4.0 são alguns exemplos de oportunidades que a tecnologia oferece para que as empresas produzam mais e com qualidade melhor. Essas tecnologias estão encurtando a distância entre pessoas, informações e experiências, ao mesmo tempo que os clientes esperam compras mais singulares, imersivas e integração entre o mundo físico e o online.
Neste sentido, temos notado um movimento interessante. Após a revolução do e-commerce, as empresas de varejo agora voltam seu olhar aos antigos pontos de venda, com as lojas físicas cada vez mais conectadas e digitalizadas. Os varejistas estão se adaptando a esse momento de integração entre as lojas virtuais e físicas e se preocupam, cada vez mais, com uma estratégia integrada para oferecer a melhor experiência aos seus clientes, independente do canal de relacionamento. A necessidade de integrar o varejo tradicional ao mundo virtual é sentida até mesmo pelos pequenos varejistas, onde 97% das vendas ainda ocorrem no mundo físico e não no online.
Modelo Pick-up store da Renner
A loja Renner, por exemplo, desenvolveu o modelo de pick-up store, no qual o consumidor retira nas lojas os itens comprados no site, em vez de recebê-los em casa. Esse modelo aumenta a circulação na loja física, mas só isso não basta para que os pontos de venda voltem a ser como antes. A Renner resolveu, então, usar a tecnologia para melhorar a experiencia do usuário que vai até a loja, o que eles chamaram de venda móvel.
Em vez do cliente esperar na fila do caixa, ele pode concluir a compra assim que sai do provador. Equipes de vendas ficam equipadas com smartphones para finalizar a compra do próprio corredor do provador, como se fosse uma venda online. Os aparelhos ainda permitem que o vendedor consulte a disponibilidade de um produto no estoque. Se a loja não possui o item, o aparelho pode indicar a compra pelo e-commerce. O usuário pode fotografar uma revista, uma vitrine ou uma pessoa e a Inteligência Artificial do aplicativo busca produtos similares no site.
Outra forma das tecnologias ajudarem as lojas tradicionais a se integrarem com o ambiente online é através do checkout non-stop e do pagamento automático. Em vez de precisar esperar por assistentes de vendas para atendê-los, os clientes podem fazer o checkout digital automaticamente.
Imagine uma loja em que o cliente entra, escaneia o código de barras no celular em uma catraca, pega o que deseja nas prateleiras e simplesmente sai com os produtos, sem precisar enfrentar filas ou parar em um caixa. Essa experiência já é realidade em seis lojas Amazon Go instaladas em Seattle, Chicago e São Francisco, nos EUA. A líder e referência do e-commerce está investindo na tendência predominante hoje no varejo: a inovação tecnológica das lojas físicas.

Experiência “Just Walk Out Shopping”
A experiência Just Walk Out Shopping permite que tudo seja feito pelo aplicativo Amazon Go. Para determinar exatamente o que o cliente está levando, as lojas contam com centenas de câmeras e sensores. Estes estão amparados por softwares de computação visual, deep learning e fusão de sensores. O sistema monitora os movimentos de quem entra na loja e detecta com precisão o que cada consumidor coloca na cesta e o que devolve para a prateleira. Quando o cliente termina de comprar e sai da loja, o sistema envia automaticamente o recibo da compra por e-mail. Dessa forma, oferece detalhes do que comprou, quanto pagou e quanto tempo passou na loja – e cobra diretamente no seu cartão de crédito.
Mas como o sistema consegue saber quais são exatamente os produtos que são retirados das prateleiras? Os alimentos embalados têm um padrão único de círculos e diamantes que funcionam como um QR code, que é assimilado pelo software. Da mesma forma, sensores de peso em cada prateleira conseguem saber quando o cliente removeu algum produto. Ou, até mesmo, quando ele retornou com o produto à prateleira.
No futuro, a IA conseguirá recomendar acompanhamentos e dar sugestões e dicas para os clientes com base em seus gostos e preferências. Através da Inteligência Artificial, a loja conseguirá saber o que o cliente deseja ao observá-lo analisar um produto. Assim, as prateleiras digitais poderão oferecer promoções e informações em momentos relevantes para aprimorar a experiência de compra. Os preços se tornarão automatizados, flutuando em tempo real com base na demanda.
Amazon Go é referência no setor varejista
A experiência da Amazon Go funciona como referência para o setor varejista. Todavia, a maioria das empresas de varejo ainda estão bem distantes de oferecer estes recursos. Em uma entrevista realizada pelo O Globo, o economista francês Marc Giget relata que as maiores beneficiadas em inovação são companhias como Google, Apple, Facebook e Amazon, mas que, para ele, essas empresas não são mais inovadoras. Segundo Giget, elas se comportam como monopólios, impedindo que concorrentes atuem em seus mercados.
O economista afirmou que a inovação precisa resgatar seu objetivo original, que é proporcionar um impacto social positivo e compartilhado por todos. Segundo ele, a melhoria da qualidade de vida e satisfação dos consumidores que se esperava a partir das inovações não aconteceu. Logo, é preciso reorientar a inovação para elevar a satisfação e o bem-estar dos consumidores.
Se na década passada os varejistas investiam no e-commerce e buscavam inovar no meio online, hoje, as empresas do setor acreditam que não basta estar na internet. É preciso encontrar formas de preencher o espaço entre os mundos físico e virtual dos consumidores e oferecer a melhor experiência para o usuário.
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