Num mundo cada vez mais volátil e incerto, o comportamento do consumidor muda constantemente. Por isso, compreender os hábitos de consumo das novas gerações é fundamental para que as empresas possam se desenvolver no mercado. Um estudo da Fiep relatou uma importante mudança no comportamento online do consumidor em relação à uma possível redução do tempo de uso de smartphones. Mas isso será realmente possível?

Em razão do uso desenfreado de computadores, tablets e smartphones, os consumidores vêm tentando mudar seu comportamento em relação à internet e equilibrar a vida digital e analógica, para reduzir a permanência online.
Os benefícios do mundo conectado para a sociedade são incontestáveis. Há, cada vez mais, redes de alto desempenho possibilitando que um grande volume de dados seja acessado pelos mais variados dispositivos em qualquer lugar e a qualquer momento. Entretanto, esse fluxo intenso de informações e inovações tecnológicas pode também trazer desvantagens, como o aumento do uso excessivo e até mesmo compulsivo das tecnologias.
A dependência dos aparelhos eletrônicos levou ao Detox Digital
Diante desse novo cenário, pesquisas vêm demonstrando que as pessoas têm buscado formas de reduzir o uso exagerado de dispositivos eletrônicos. Esta prática tem sido chamada de Desintoxicação Eletrônica ou o Detox Digital. Os usuários estão conscientes da sua dependência e buscam formas de controlar o tempo que gastam online. Estudos feitos por consultorias de tendências e as próprias empresas de tecnologia apontam este movimento como uma provável tendência para o curto prazo.
A Infobase Interativa reuniu pesquisas publicadas sobre hábitos de consumo digital e as consequências que o longo tempo em frente às telas tem causado aos consumidores. Alguns dos fatores são falta de produtividade, atenção, estresse, menor interação social, perda de contato com familiares, aumento de ansiedade, depressão, queda de autoestima, entre outros. De acordo com os estudos:
- 72% dos entrevistados acreditam que as redes sociais reduzem a concentração
- 68% dizem que plataformas fazem com que se sintam ansiosos, tristes ou depressivos
- 29% afirmam que as redes sociais prejudicam a autoestima e aumentam a insegurança
- 64% estão dando uma pausa no uso das redes sociais, por diversos motivos. Os principais relatados por eles são o gasto excessivo de tempo nas redes sociais (41%), a negatividade (35%) e o fato de já não acessarem mais com tanta frequência (31%).
Outro estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Pittsburgh com quase 2 mil americanos, com idades entre 19 e 32 anos, revelou que quanto mais tempo as pessoas passam nas plataformas, maiores as chances de elas experimentarem a sensação de isolamento social, solidão e exclusão. Segundo eles, isso estaria acontecendo porque a conexão, de certa forma, substitui experiências sociais autênticas e interações no mundo real. Por consequência, isso pode ocasionar um sentimento de exclusão, pois a pessoa fica apenas inserida em um mundo ilusório.
Ações que vêm sendo tomadas pelo governo e por empresas
Nesse cenário, têm surgido oportunidades de negócio, como a realização de testes para medir se o usuário tem necessidade ou não de uma desintoxicação digital. Para a dependência extrema, já existem clínicas de reabilitação para pessoas viciadas em redes sociais, games, smartphones e outros dispositivos. Na China, o governo estabeleceu tratamentos para a população com duração variada de acordo com o grau de compulsão. Foi uma forma de buscar reaproximar esses jovens de suas famílias, vida social, estudos e amigos.
Empresas de tecnologia também têm tomado iniciativas levando em conta este novo movimento de Detox Digital. A Apple, por exemplo, já sugere deixar o celular no modo silencioso. Crescem também soluções para restringir o uso de dispositivos em espetáculos e shows. Nos concertos do músico Jack White, por exemplo, as pessoas são obrigadas a guardar seus smartphones em uma capa especial selada que só abre com uma base magnética na saída do evento. Quem tenta pegar o celular, é banido dos shows. O cantor acredita que os aparelhos prejudicam a experiência pessoal.
A digitalização no Brasil
No Brasil, os usuários ficam, em média, 9 horas e 14 minutos por dia conectados. Somos o quarto país com maior número de usuários que usam Internet, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, da Índia e da China, segundo relatório da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) de 2017.
A digitalização é um movimento irreversível que, se bem aproveitado, pode trazer inúmeras vantagens para o ambiente de negócios e para o desenvolvimento de uma sociedade mais justa e igualitária. Como o consumidor irá se comportar frente a estas mudanças tão recentes e rápidas e como as empresas poderão transformar esta tendência em uma oportunidade de negócios são questões essenciais a serem debatidas. Para isso, é importante estar atento aos principais movimentos e fatos portadores de futuro para sair na frente de seus concorrentes. E traçar a estratégia correta para seu negócio manter-se rentável e competitivo de forma sustentável.
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